Nathan Braga, em seu uso constante do mármore e da naftalina, tensiona a estabilidade das obras em sua permanência, já que elas perigam desfazer-se antes do fim de seu período expositivo. Sua produção coloca uma presença onde a iminência do desaparecimento se impõe graças às propriedades químicas da naftalina, reservando aos materiais com que se relaciona uma completa instabilidade. A angústia desvelada nos trabalhos do artista origina-se de sua pesquisa acerca de experiências pessoais, pontuadas pela falta da mãe. Ainda que suas peças sejam atravessadas de subjetividade, o branco opaco que envolve a maior parte delas revela um ensejo iconoclasta, a recusa da formação da imagem. Entretanto, estas são compostas à revelia por meio da criação simbólica evocada pelos signos. O autorreflexo, porém, se faz presente na série “Para levantar a cabeça do que aqui repousa”, onde formas em latão remetem à tradição fúnebre egípcia, na qual os mortos eram exumados acompanhados de mobiliários que assentavam suas cabeças. A recorrência do memento mori na produção de Nathan constitui-se enquanto alegoria a partir da forma e do signo. Curiosamente, esta última palavra, em grego (sema), tem como significação primeira o substantivo túmulo, nos lembrando que a construção de imagens perpassa sempre uma ausência mortificante do enunciado.
Segundo o artista, a busca pela mimese da mimese rege a primeira fase de sua produção. O simulacro, ou seja, a aproximação de elementos que possuem uma semelhança formal, mas qualidades físicas díspares, aponta em suas obras um apreço pelo falso. Frequentemente o mármore, matéria escultórica que busca perpetuar-se na eternidade, relaciona-se com a naftalina, substância química com propriedades sublimatórias. No entanto, o tempo, que permitia distinguir as especificidades de cada material, revela outra coisa: que nenhum dos dois signos é aquele que fora anteriormente. Em vez de promover um choque de disparidades, a justaposição equipara os elementos naquilo que os torna próximos: o estado de repelência. Enquanto o odor da naftalina causa um estranhamento em qualquer corpo pulsante, o mármore evoca a sedução sublime da morte. A impotência da matéria bruta, lançada ao devir, cujas lápides que recobrem duram mais do que aquilo que guardam, funde-se à debilidade do material químico, que não consegue permitir-se uma completa presença. Este último guarda, ainda, no outro, uma dupla reação: a euforia da dissipação do cheiro incômodo alinhado à frustração do objeto artístico que se esvai, guardando em si apenas uma memória.