Na tradição cristã medieval, o Diabo é um mímico, um ator, um artista performático, e ele imita as maravilhas da natureza e a obra divina da criação. Seu meio é a ilusão. Ao contrário de Deus, argumentavam os Padres da Igreja, seu antagonista não pode realizar milagres ou realmente modificar fenômenos. Ele é o mero impostor de Deus. o mestre das mentiras, da imitação, da simulação e do fingimento – mas ele é impotente quando se trata da habilidade de transformar substância e matéria.
Ele só pode conjurar visões como ilusões, como o seu feito quando, na figura de Mefistófeles, convoca os pecados capitais para o Doutor Fausto e depois o seduz com a aparência encantadora do espírito de Helena de Tróia. Assim, ele convoca imagens no olho da mente, jogando com os desejos e fraquezas das suas vítimas. Ele brinca conosco, principalmente, ao criar espetáculos que não estão ali, pois a própria obra ilusão vem de ludere, “brincar” em latim.